Editorial Novembro 2017

Desenvolvimento Sustentável, agora e sempre, depende de todos

Em algum lugar numa trilha da chapada diamantina (BA).(Foto: Denis JULIEN / RHIOS)

Quando o termo desenvolvimento foi apresentado como uma ‘alternativa’ ao termo crescimento para sinalizar indicadores econômicos de uma determinada sociedade, observou-se a insuficiência do Produto Interno Bruto (PIB) como parâmetro de análise de condições de vida de um povo. Verificava-se assim que a riqueza gerada medida pelo PIB em sua forma agregada, não implicava necessariamente em uma distribuição equilibrada que assegurasse níveis mínimos de renda, saúde e educação para toda a população.

Com o passar dos anos, consolidadas as diferenças entre os termos, embora ainda eventualmente usados como sinônimos, ajuntou-se ao mesmo a expressão sustentável, indicando que não mais bastava uma equilibrada repartição dos recursos, fazendo-se necessário que a mesma, ocorrendo agora, não impossibilitasse as condições para sua ocorrência também nas gerações futuras. Continue lendo “Editorial Novembro 2017”

Editorial Outubro 2017

Valor, Preço e Meio Ambiente

Mangue – Ilha de Itaparica – 2015 (Foto: Karine Veiga / RHIOS)

Na ciência econômica com certa frequência discute-se as conexões entre valor e preço. Apesar do uso comum como sinônimo, em um contexto mais técnico onde a hermenêutica se configure como elemento de relevância para a discussão, busca-se muitas vezes identificar as conexões que convertem valores, de natureza subjetiva, em preços, objetivos e mensuráveis.

Contribuindo para essa discussão e buscando eliminar o excesso de subjetividade inerente ao termo valor, este é categorizado para melhor compreensão no processo de monetização. Daí surge o valor social, o valor cultural e o valor econômico, entre outros. Essa última categoria reduz a subjetividade do valor aos elementos que podem ser apropriados pelo processo produtivo. Nesse sentido, o valor cultural de uma determinada região pode ser reduzido as possibilidades de exploração da mesma, através do turismo. Continue lendo “Editorial Outubro 2017”

Editorial Setembro 2017

Uma Outra Primavera

O Rio Doce atravessa dois estados do Brasil, Minas Gerais e Espírito Santo. 850 km de rios intoxicados e destruidos totalmente pelas lamas da mineradora SAMARCO em 2015. (Foto: Ricardo Moraes/Reuters)

Em setembro de 1962 Rachel Carson publicou o clássico e revolucionário Primavera Silenciosa denunciando o indiscriminado uso de pesticidas e seus efeitos sobre a natureza e seres humanos. O adjetivo clássico atribuído a sua obra decorre da inevitável referência que é feita a mesma quando dos estudos relacionados a impactos da ação humana sobre a natureza. Por sua vez, o caráter revolucionário da obra advém do seu papel fundamental para a proibição do uso do dicloro-difenil-tricloroetano (DDT) e outros pesticidas, e surgimento do movimento ambientalista e instituições de proteção ambiental nos EUA.

A obra seminal de Carson foi aplaudida como uma profunda reportagem investigativa expondo de forma minuciosa os efeitos imediatos e hereditários dos pesticidas. As taxas de absorção e níveis de acumulação, diferentes entre as espécies animais e vegetais, propiciavam a propagação dos efeitos na cadeia alimentar e a possível herança genética. Esses elementos, ricamente apontados por Carson, seriam os causadores da extinção ou morte de diversas aves ocasionando assim o silêncio primaveril. Continue lendo “Editorial Setembro 2017”

Editorial Agosto 2017

Economia. Meio ambiente. Sensos e Contrassensos

Nos idos do ano de 1951, em 13 de agosto, o presidente Getúlio Vargas sancionou a Lei 1.411 que criou a profissão do Economista e desde então na data passou a ser também comemorado o Dia do Economista. A definição clássica atribuída a ciência econômica a descreve como aquela que tem como objeto de estudo os usos alternativos de recursos escassos, observando processos e fenômenos históricos, institucionais, sociais, coletivos e individuais, em concomitância ou não, visando assim auxiliar na tomada de decisões.

Os fundamentos teóricos que auxiliam os estudos econômicos antecedem e muito a essa data, originando-se de forma sistematizada no século XVIII quando Adam Smith, considerado o pai da economia divulgou sua obra seminal An Inquiry into the Nature and Causes of the Wealth of Nations, conhecido mais popularmente como A Riqueza das Nações. O trabalho de Smith deu então origem a inúmeras discussões fundamentalmente centradas em elementos como renda, classes sociais, relações de produção e justiça distributiva, entre outros, produzindo hipóteses, teorias, propostas e ideologias distintas e em muitos casos, divergentes entre si, por conta da percepção diferenciada das realidades e/ou dos temas. Continue lendo “Editorial Agosto 2017”

Editorial JUNHO 2017 : Dia do Meio Ambiente

(Foto: La canopée en forêt amazonienne. © CIFOR, Flick)O dia 5 de junho é comemorado o Dia Mundial do Meio Ambiente. A data foi instituída em 1972 durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, em Estocolmo. A data coincide com o dia da Conferência que discutiu os impactos das atividades humanas sobre a natureza iniciando assim um processo de visão, análise e tratamento das questões ambientais sob uma nova perspectiva e estabelecendo princípios norteadores da política ambiental no planeta.

Por que nós, profissionais da área de ciências sociais aplicadas, devemos desenvolver também essa visão? Alguns exemplos: aos economistas pode interessar a discussão da escassez qualiquantitativa de recursos naturais (terra, minérios, água etc) que não está incorporada nos preços de commodities e para a qual diversos cientistas voltam-se no desenvolvimento de modelos de valoração. Os administradores podem ter interesse na falaciosa ISO 14000 como norma de “sustentabilidade ambiental” e mesmo na discussão da gestão de selos como acesso a mercados. Os contabilistas, também observado a degradação de recursos naturais, observam formas de valorar e contabilizar o patrimônio ambiental das organizações. Os advogados podem discutir sobre direitos de uso de recursos hídricos transfonteiriços como o aquífero do Guarani ou sobre a maior leniência nas exigências de licenças ambientais em projetos de grande impacto. Continue lendo “Editorial JUNHO 2017 : Dia do Meio Ambiente”